Reminiscencia.
Ela maldizia sua sorte. Seu corpo era velho, estava cansada e fraca, já não se recorda com exatidão quando foi que aquele ki que tanto lhe custou expulsar e controlar a havia abandonado para sempre.
Por mais que o tentara não era capaz de concentrar sua energia em suas velhas mãos e muito menos levitar nem uns poucos centímetros, como o fez há muitos anos. Seu esforço foi interrompido pela voz de sua filha chamando-a de dentro de sua casa. Sem mas indiferença se levantou para juntar-se a ela.
– Mamãe, o que faz aqui fora?Com tanto frio você vai ficar doente!Depois não se queixe se tenho que te levar ao médico!
–Não é para tanto Pan, só estava tentando… voar outra vez. – sussurrou.
–Mamãe, não deve fazer esforços!É perigoso pra você!
–Pan, que eu não seja jovem não significa que eu seja inútil!
–Por que sempre tem que ser tão teimosa?Melhor entrar em casa!Vamos.
–Sim – vendo sua filha já uma mulher adulta, casada e com filhos.
Ela já era avó. Quando era jovem nunca passou por sua cabeça que algum dia teria netos, muito menos se casar. Pensava apenas em seu treinamento, golpeando sem parar aquele saco de boxe, que despedaçou tantas vezes. Seu corpo forte e jovem que era capaz de deixar qualquer um inconsciente, atualmente não para de doer com cada tarefa que tenha que fazer, por mais simples que seja, incluindo tomar banho, que se tornou uma odisséia, chegando ao ponto de ter um telefone no chuveiro para o caso de precisar de um atendimento de emergência.
Antes de conhecê-lo, acreditava que os homens eram só massas de carne e que serviam para receber golpes até deixá-los cair mortos.Claro antes dele. Não pôde negar que sentiu prazer naqueles jogos de perseguição que tinham quando tentava desmascará-lo em sua época de Super-Herói metido que só chegou para roubar seu trabalho.
Com o passar do tempo, é normal que envelheceram. Ele, por sua parte, ao ter genes de outro mundo, pôde ter una aparência mais jovem, mas ela era uma humana normal, de modo que as rugas foram a cobrindo completamente. Em algumas ocasiões se sentia muito incomodada, principalmente quando ambos iam caminhar juntos pela cidade e os demais transeuntes os observavam curiosamente, já que ela parecia ser muito mais velha do que ele, sendo que na realidade ela era um ano mais jovem.
Porém, essa diferença de aparência nunca pareceu importante para Gohan, pois ele nunca deixou de beijá-la ou acariciá-la, com ou sem pessoas ao seu redor. No início de sua relação, ele era extremamente tímido com ela, sempre pedindo permissão para abraçá-la ou para dar-lhe um pequeno beijo. Claro que à Videl não incomodava em absoluto, já que no fundo gostava e sentia-se muito atraída com esse seu jeito tímido de ser. Também se sentia especial porque, mesmo com outras mulheres tentando flertar, ele apenas as ignorava. Em compensação, com ela era diferente.
Ao sentar-se no sofá e subir seu olhar, acaba encontrando a fotografia de seu casamento. Assim, não pôde evitar trazer à mente muitas lembranças: o dia em que disse “aceito” no altar junto a ele. Ambos formaram uma família, tiveram sua própria casa, uma filha, uma vida juntos. Eram um todo.
Um todo que agora está incompleto. Passaram-se semanas desde o dia em que aconteceu o funeral e desde então não deixa de lembrar dele. Tudo lembra ele.Se olha a biblioteca jura que pode vê-lo ler um livro em seu sofá favorito,como sempre fazia.Se vê noticias de algum tipo de roubo, recorda de quando juntos eram os heróis da justiça, com capas e capacetes. Se vê os tons dourados do pôr-do-sol, o vê quando aparecia essa cor em seu cabelo.
Pan, preocupada com a saúde mental da sua mãe, decidiu visitá-la diariamente para cuidar dela. Isso foi melhor do que enviá-la a um asilo de idosos. Idosa. Essa palavra não lhe agrada em nada, já que isso é o que vê ao olhar-se no espelho para pentear seu cabelo cinza, que uma vez foi negro, observar seus olhos azuis, agora secos.
–Mamãe, já deixei preparado o jantar para você. Só tem que esquentar. Bom, já tenho que ir. Me chama se precisar de alguma coisa. Pela manhã venho mais cedo para preparar o café-da-manhã.
–Sim, Obrigada, filha!– responde perdida em seus pensamentos.
Pan notou esse olhar perdido de sua mãe e fechou a porta que havia aberto para sair.
–Mamãe, eu também sinto falta dele, mas, a vida continua, entende?
–Sim, eu entendo. Pode ir tranquila. Nos vemos amanhã.
–Está certa disso?Se quiser, posso ficar a noite toda aqui.
–Não é necessário. – se retira, não muito convencida.
–Está bem. Adeus.
–Adeus.
Agora em sua casa, sentada em frente a um prato de comida que se esfriou há muito tempo, na mesa que havia ficado muito grande para uma só pessoa. Antes, na hora do jantar, os únicos sons eram os de seu marido devorando sem piedade a comida. É irônico que nunca se acostumou a ver seu marido comer em grande quantidade, mas agora só escuta o monótono som do gotejamento da lavadora.
Se há maneira para esquecer mais de cinquenta anos de convivência com uma pessoa? Cuja pessoa te deu teu primeiro beijo, foi o primeiro e único a acariciar teu corpo desnudo, aquele que te fez amor pela primeira vez. Se houve maneira de esquecer tudo isso, não há mais. A única época de sua vida na qual pôde viver sem ele foi durante sua infância, antes de conhecê-lo, quando acreditava conhecer e entender como era o mundo, antes de saber que é possível voar, sarar a mais delicada ferida com uma sementinha.
Mas essas sementinhas foram inúteis em certa ocasião. Um dia quando voltou a casa depois de fazer algumas compras, ao tentar acha-lo em sua biblioteca só encontrou livros espalhados pelo chão e o corpo de seu marido também no chão, chamou tão rápido quanto pôde uma ambulância, que o levou ao hospital onde o declararam morto. Foi um infarto repentino. Por isso, não teve oportunidade de despedir-se apropriadamente.
Depois de caminhar lentamente para seu quarto, se prepara para passar mais uma noite sem Gohan, cobrindo seu corpo com os lençóis, passando sua mão pelo lado frio da cama, que pertenceu alguma vez a seu cônjuge.
Já tinham uma tradição, que era antes de dormir sempre dirigir um te amo, mas esse te amo só recebe o teto de seu quarto, que olha ocasionalmente.
–Sinto sua falta, preciso de você e te amo, Gohan. –sussurra
Passaram alguns minutos e não recebeu resposta. Suspirou profundamente e virou-se para o seu lado da cama, onde caiu em um sono profundo.
Pan subia as escadas de sua antiga casa com uma bandeja nas mãos. O café fumegava e a manteiga se derretia sobre o pão fresco. Caminhando lentamente chegou à cama de sua mãe.
-Mamãe, sou eu!Trago o café-da-manhã, mamãe!
Deixa a bandeja na mesa de cabeceira e logo sacode ligeiramente a sua progenitora, a qual não responde. Pan a examina mais de perto para descobrir que não tem pulso e que seu corpo está frio e rígido. Não pôde evitar encher seus olhos de lágrimas. Outra pessoa importante em sua vida havia ido. Apesar de tão triste ocasião, sorri amargamente. Ao menos morreu enquanto dormia. Não há maneira mais calma de morrer do que essa.
Definitivamente seus pais agora poderiam estar juntos para sempre.
FIM.
Olá!Desculpem-me por eu ter excluído minha conta!O motivo foi porque eu depois de assistir a um filme de Dragon Ball Z me choquei e fiquei com muita raiva do que vi.Então logo excluí minha conta na FF-SOL.
Não se preocupem,pois eu continuarei as Fics que não terminei,certo?
Peço um milhão de desculpas e espero que tenham gostado dessa tradução.Falando agora do texto,eu o amei e até chorei lendo.Se houve agum erro na tradução me avisem por favor!
Um abração de novo a todos vocês!:)
Link da Fic original: http://www.fanfiction.net/s/5787202/1/Reminiscencia
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