Ficwriter: ~Hoshi
 

A chave do seu coração.

Harry Potter - drama, romance - 12 anos - yaoi/male slash - completa


A chave do seu coração.

 Fanfic para o desafio Queen Of Hearts 2009.

Tema: Chave.

 

         -Quem sabe um dia você possa me perdoar. – Disse-lhe, dando um beijo em sua testa e saindo para o vento frio que soprava na madrugada escura.

 

         Fora uma noite tempestuosa, fria, porém maravilhosa. Dois corpos quentes, abraçados em um sofá velho e empoeirado, relembrando-se – até fisicamente – de momentos a muito esquecidos. Sirius e Severo. Um maroto, e um deslocado, extremamente opostos em seu relacionamento, e ao mesmo tempo, infinitamente íntimos, claro, secretamente.

 

         O impacto do clima diferente percorreu seu corpo. O vento estava realmente frio, pensou Severo. Estranho, já estamos quase na primavera. Lá dentro estava tão quente, devia ser seu coração que o estava aquecendo.

 

         Sirius, ah, Sirius... Quem dera um dia Sev pudesse dar seu coração a ele assim como ele tinha lhe dado o seu de bom grado. E não apenas seu coração, mas seu sentimento, seu amor, e a verdade, pura e gloriosa, assim como se dá um presente ou um abraço com sinceridade.

 

         Já ele não, ele não havia cumprido sua promessa, havia deixado feridas na pessoa que amava, mentindo para ela. Terrível.

 

         O vento ainda balançava, furiosamente as mechas de seus cabelos negros, gelando cada músculo seu, mas mesmo assim continuou, tinha que se afastar dali.

 

        

         Dois homens de meia idade se encontravam sentados a mesa da cozinha do Largo Grimmauld.

 

         -Obrigado, Sev, por ficar aqui. – Disse Sirius, afetuoso, e também irônico.

         -Pelo visto você ainda tem medo de trovões, Black – Um sorriso sarcástico apareceu no rosto de Snape.- Mas não me importo de ficar aqui... Não poderia, de qualquer modo, sair nessa chuva mesmo.

         -Você nunca muda, não é Sev?! O velho ranzinza das cuecas puxadas – E gargalhou, fazendo o sorriso desaparecer do rosto do companheiro, sendo substituído por uma expressão irritada. – Relaxe, Severo, terá que me aturar a noite toda! – E mais uma vez, riu. A situação era extremamente cômica, principalmente pelo uso do tão antigo e odiado apelido de Severo Snape. Ele fazia para provocar.

         -Infelizmente, Black, infelizmente...

        

         Sirius levantou-se, e pegou algo no armário. Parecia uma garrafa de drinque velha e empoeirada.

 

         -Servido?

         -Não, obrigado.

         -Ora, vamos Sevie, não faça desfeita! Ficará aqui até a tempestade terminar, então porque não deixar as coisas mais fáceis?

        

Um copo voou do armário até Sirius, batendo em sua mão bruscamente. Típico de um Severo Snape irritado.

 

-Estranha, esse tempo, não?! Estamos quase na primavera, afinal!

 

         Severo nada respondeu.

 

         -Onde será que estão Remo e Ninphadora? Devem chegar só amanhã, com essa chuva... Tentar chegar aqui como trouxa deve ser extremamente complicado. – Disse, coçando a barba malfeita.

        

         Severo ainda permanecia calado.

        

         - E Harry!? Ora, conte-me Severo, como vai meu afilhado? A tanto não o vejo...

 

O homem, ainda calado, tomou mais um gole, fazendo uma careta.

 

-Está ruim?

-Ora, cale essa boca Black! Fala e fala pelos cotovelos, por Merlin!

 

Sirius parecia estar se divertindo muito. Soltou mais uma gargalhada, e assim o diálogo continuou enquanto a noite passava. Até que o assunto chegou em um ponto não esperado por nenhum dos dois.

 

- Você tem sorte de ser escolhido por Dumbledore para proteger Harry.

-Sorte? – Snape ergueu uma sobrancelha, ironizando. – Ter que ver aqueles malditos olhos todos os dias... – O comentário havia sido apenas para ele mesmo, mas Sirius o ouviu. E compreendeu.

-Ele tem os olhos de Lílian... Você amava Lílian... Sinto muito, Sevie.

-Você entende rápido as coisas, Black. – E então seus olhos perderam o foco. – A chuva piorou, nã-

-Você não precisa mudar de assunto. Sabe, Severo.. – Pela primeira vez seu objetivo não era irritá-lo. – Eu lhe entendo. Você trancou seu coração a sete chaves, proibindo qualquer um de se aproximar dele. E assim, ele se tornou escuro e frio...

 

Como podia ser? Sirius Black entendia Severo Snape, sendo que nem ele mesmo tinha resposta para suas indagações constantes.

 

-É, talvez você realmente me entenda...

 

Os dois se olharam. Dois homens, sobre a luz bruxuleante de uma casa abandonada, falando sobre seus sentimentos abertamente. Qual seria o motivo?

 

Sirius deu um sorriso de canto. As coisas estavam melhorando entre os dois, pelo menos era o que ele achava.

 

Seus olhos se encontraram. Estranhamente, Sirius sentiu uma imensa vontade, louca de... Beijá-lo. De roubar-lhe a chave de seu coração, mas logo voltou ao seu estado normal. “Ora, que pensamento foi esse, Sirius?!”

 

-Nã... – Snape começou a falar, mas no mesmo instante, uma nova onda de loucura invadiu o corpo de Black, e ele simplesmente diminuiu a distância entre os dois a zero, entrelaçando suas bocas e corpos. Snape não sentia lábios nos seus a muito tempo, foi perfeito, por alguns instantes. No ápice do beijo, quente, apaixonante, houve um clarão de luz.

-SECTU SEMPRA! – Foi o grito de Severo. Naquele momento, não tinha noção do que estava fazendo. Simplesmente, sua consciência gritou mais alto, e ele reagiu instantaneamente, quase que por instinto, e sua mente ignorou o prazer de milésimos antes.

 

Agora, Sirius Black jazia sangrando no chão de granito da cozinha. As feridas começaram a aparecer, e o sonserino desejou nunca ter aceitado permanecer ali durante a tempestade. E se os outros chegassem? Como explicaria? “Eu reagi a um beijo...”  ridículo. Recostou-se na parede, tentando organizar os pensamentos. A luz falhou. “Não posso... Tenho que deixá-lo aqui.Ele pode lembrar, e.. Argh!” E se dirigiu a sala, correndo confuso, porém parou, de súbito. Ele não iria acordar tão cedo... E se os outros demorassem? Sirius poderia morrer! – Afastou a idéia da mente.

 

Voltou, calmamente, ou pelo menos tentando fazer isso, ao corpo de Black. Os braços estendidos, o olhar sem foco... Deu lhe um beijo na testa.

 

 -Quem sabe um dia você possa me perdoar. – Trancou a porta da cozinha a chave, e saiu, atordoado. Sabia que era uma coisa inútil, trancar, mas mesmo assim o fez.  Mais tarde, encontrariam Black, quase morto, no chão da cozinha, e culpariam Monstro.

 

Seu coração, por um momento teve as portas escancaradas, mas agora seu dono o tinha fechado, para sempre, com a mais forte das chaves, a do arrependimento.

         

 

 



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